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No dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, criado e oficializado na década de 1970 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mas, por acaso, você sabe qual é a origem do dia 8 de março e por que esse dia é importante para discutir e refletir aspectos da sociedade, como a participação feminina no mercado industrial de trabalho?

Vamos aos fatos!

Contextualização

Desde o final do século XIX, há um extenso caminho das lutas de mulheres reivindicando seus direitos, que até então eram escassos ou quase que inexistentes.

Um dos episódios que levou a criação dessa data foi um incêndio que ocorreu em 1911 em uma fábrica têxtil em Nova York. Essa tragédia deixou 146 pessoas mortas, das quais 125 eram mulheres. Duas das principais causas do incêndio foram as péssimas instalações elétricas na fábrica e a grande quantidade de tecido no local, o que ajudou a alastrar o fogo rapidamente. Outro ponto amedrontador que contribuiu para o alto número de mortes foi o hábito que os donos de fábricas possuíam de trancar as portas para evitar greves e protestos dos operários durante o expediente. Quando o incêndio começou, nenhum trabalhador conseguiu escapar ou apagar o fogo com extintores, já que não havia nenhum na fábrica.

Depois desse acidente, as mulheres começaram a sair ainda mais para as ruas, reivindicando melhores condições de trabalho nas fábricas, igualdade salarial e direito ao voto. Com muita força, elas foram conquistando o seu lugar e, até hoje, persistem nessa luta.


Paloma Mendes de Uzêda, ex-aluna do curso técnico em Cervejaria da Firjan SENAI Tijuca. Foto: Divulgação


Tamiles de Jesus Andrade, estudante de Instalação Elétrica Predial da Firjan SENAI Jacarepaguá. Foto: Divulgação 


Mulheres na Indústria

Ao longo dos anos, as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço em diversos setores da Indústria. Isso pôde ser observado em uma pesquisa feita pela Firjan SENAI a respeito do número total de matrículas por gênero. Em 2018, havia 14,89% mulheres inscritas nos cursos da Firjan SENAI. Já em 2022, a participação feminina quase que dobrou, chegando a 27,15%.

A Firjan SENAI é uma instituição que atua formando e qualificando profissionais que desejam entrar no mercado industrial. Desse modo, oferece muitos cursos técnicos e de aprendizagem, aperfeiçoamento e qualificação profissional. Como notado pela pesquisa, a participação feminina nos cursos da Firjan SENAI expandiu ao longo dos anos e a tendência é só aumentar.

“Ao formar e capacitar mulheres nesses cursos, que até então eram ocupados somente por homens, a Firjan SENAI promove a equidade de gênero nas fábricas. Essa quebra de paradigma na capacitação é muito importante, pois auxilia a diminuição da desigualdade de gênero no ambiente industrial”, explica Carla Pinheiro, presidente do Conselho Firjan de Mulheres e também presidente do Sindicato das Indústrias de Joias e Lapidação de Pedras Preciosas do Rio de Janeiro (Sindijoias-RJ) e diretora da federação.

Exemplos Delas conquistando espaço no mercado industrial

Uma parceria entre a Firjan SENAI Resende e a empresa Michelin resultou em uma turma só de mulheres aprendizes na área de manutenção da fábrica de pneus em Itatiaia. Trata-se da primeira turma 100% feminina do curso técnico em Mecânica. Por enquanto, as alunas estão em sala de aula, mas, no ano que vem, irão vivenciar a parte prática do curso dentro da fábrica.

Marcelly da Silva Valeriano, de 20 anos, ficou surpresa quando foi avisada no processo seletivo que a turma seria só de mulheres. “Quando se fala em Mecânica, logo pensamos em um homem. O cenário feminino, nesse setor, praticamente não existe porque costumam colocar as mulheres longe da linha de montagem. Mas o que eu realmente quero é conhecer todas as áreas para, depois, escolher com qual delas me identifico melhor”, aponta Marcelly.

Outro setor industrial em que a participação é predominantemente masculina é o de cervejaria. A ex-aluna do curso técnico em Cervejaria da Firjan SENAI Tijuca, Paloma Mendes de Uzêda, de 31 anos, trabalha atualmente na Ambev e sofre preconceitos por atuar em uma fábrica de cerveja. “Por ser um meio majoritariamente formado por homens, muitas pessoas duvidam da capacidade das mulheres. Um grande exemplo que tenho é quando vou para o trabalho de táxi. Muitas vezes, o motorista vê que estou indo para a Ambev e pergunta se atuo na parte administrativa. Muito pelo contrário. Eu faço cerveja, pego pesado e quando eu conto isso a pessoa fica chocada'', relata Paloma.

Quanto as expectativas para o avanço da equidade de gênero na indústria no futuro, Tamiles de Jesus Andrade é otimista. A jovem, de 32 anos, é aluna do curso de qualificação de Instalação Elétrica Predial da Firjan SENAI Jacarepaguá e sempre se interessou pela área. Ela pretende aprofundar os estudos para trabalhar nesse setor. “Se, no futuro, existir cada vez mais mulheres trabalhando em áreas onde costuma ter mais homens vai ser algo muito positivo. Isso gera mais confiança para mães solteiras, por exemplo, que precisam trabalhar e se sentem mais seguras com serviços feitos por mulheres enquanto os filhos estão em casa”, afirma Tamiles.



Parceria entre a Firjan SENAI Resende e a Michelin resultou em uma turma só de mulheres aprendizes na área de manutenção de fábrica de pneus em Itatiaia. Foto: Divulgação



Turma do curso de Instalação Elétrica Predial da Firjan SENAI Jacarepaguá. Foto: Divulgação