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Transformar seu hobby em profissão foi uma das descobertas de Nicole Lucas Rodrigues de Oliveira, de 16 anos, ao iniciar o Ensino Médio no Centro de Referência em Cinema e Audiovisual da Firjan SENAI SESI Laranjeiras. O ambiente acolhedor e estimulante mostrou-se essencial para Nicole, que iniciou as atividades artísticas na infância e já fundou um grupo de teatro, música e poesia.

“O curso técnico traz contato com a parte industrial e empresarial que a maioria dos artistas aprende na prática, encorajando a participação de quem vem da periferia e teve uma educação precária”, disse Nicole, na sexta-feira, 14/04, em apresentação no Rio2C, evento que reuniu promotores e interessados no mercado audiovisual, musical e de inovação na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca.

Nicole participou do painel A potência das juventudes na economia criativa, contando sua experiência à frente do grupo Trupe Artevista e o engajamento em redes de economia criativa profissionais, desde o ingresso no Centro de Referência. A inclinação artística começou cedo: aos seis anos, ela começou a aprender violino na Escola de Música Villa-Lobos, tendo atuado em companhias de teatro amador.

“Criei a Trupe em meu bairro, no subúrbio de Vista Alegre, mas só fui aprender a me inscrever em editais e cumprir exigências para buscar financiamentos a partir do ensino técnico na Firjan SENAI SESI”, comentou.

A falta de recursos financeiros é um dos entraves que o jovem da periferia encontra ao procurar qualificação, afirmou Nicole, que só prestou concurso para ingressar no Centro de Referência porque “a Firjan não tinha taxa de inscrição”. Hoje, cursando o segundo ano do Ensino Médio, Nicole atribui ao Centro o seu próprio desenvolvimento de habilidades socioemocionais, deixando de lado a timidez natural diante de instrutores mais velhos e experientes.

“Aprendi a lidar com o estresse sob pressão e que não tenho que trabalhar de forma mecanizada. Pertenço a uma geração antenada com as linguagens digitais e, no Centro, senti que minhas sugestões eram ouvidas”, acrescentou.

O painel foi coordenado por Carla Chiamarelli, gerente de Gestão de Conhecimento da Fundação Itaú, que levou dados sobre a situação de trabalho e educação dos 50 milhões de jovens brasileiros que cresceram com a Internet e têm facilidade para trabalhar com digitalização em todos os campos profissionais, incluindo a indústria criativa.

Já o apoio da Firjan ao audiovisual nacional foi tema da apresentação de Leonardo Edde, vice-presidente da federação e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (Sicav), que na quinta-feira, 12/04, falou sobre o projeto Paradiso, que oferece bolsas, prêmios e oportunidades de formação profissional para roteiristas, diretores, produtores e distribuidores em todas as fases da carreira. Do painel participou também a diretora do projeto Paradiso, Rachel do Valle.